A realidade dói



Se tem algo que me incomoda, e muito, é ver criança chorando. Ainda mais por motivos que, sinceramente, não sei como ainda acontecem nos dias de hoje. Os jornais, inevitavelmente, mostram-me todos os dias que, além do sofrimento de algumas, agora é moda criança morrer. Seja em acidente, briga em trânsito, tiroteio, doença, fome (esse item é velho de guerra), etc. Coisa que em “um Brasil de todos” não era para acontecer, jamais.

O Brasil não é de todos, é sim, de uma pequena minoria, privilegiada pelas suas próprias leis, fazem desse país a “casa da mãe Joana” (na verdade acho que a casa da mãe Joana está mais arrumadinha).

Como de costume, acordo e ligo, quase que como um ritual, a televisão e assisto ao jornal. E hoje,uma imagem me entristeceu: a de um menino chorando por ter perdido seus pais em um deslizamento de terra devido a chuva de ontem em São Paulo. É claro, que já deveria estar acostumada, anestesiada, mas, como já disse no início desse texto: Não agüento ver criança chorando. Me incomoda, ainda mais, por um motivo tão doloroso desses. E isso acontece sempre. Infelizmente.

Além de me incomodar e entristecer, as minhas primeiras reações, a revolta vem em seguida. Lembro que há um lugar bem “paradisíaco”, idealizado pelo nosso tão festejado presidente Juscelino Kubitschek, chamado Brasília. Onde a imunidade parlamentar ainda existe, o mensalão está de vento em pompa (não somente ali, claro), onde os próprios votam no seu salário e regalias. Juscelino deve ter previsto no que se tornaria esse tal lugar, tanto que fez bem longe e lá no meio do cerrado. Lá é quase um mundo a parte. Mundo da sacanagem e da “formalidade”: “Vossa Excelência cale sua boca”, “Vossa Excelência pode ir para aquele lugar”, “Vossa Excelência é corrupta”. É assim que as “Vossas Excelências” discutem, tudo bem formalmente.

Enquanto isso, o pobre coitado do povo, vai sobrevivendo e ainda festejando a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Eventos estes, que eles não vão passar nem da porta. Quem não tem dinheiro para comprar um barraco melhor, jamais terá dinheiro para comprar um ingresso que deve custar o “olho da cara”. E o “olho da cara” do brasileiro já foi vendido, faz tempo...


São Judas Tadeu a missão é impossível mesmo!
7 Responses
  1. Janaína Says:

    Seu blog é muito bom. Assuntos para todos os gostos...adorei...


  2. Nii Says:

    Juuu concordo com você. Não dá pra acostumar. Sempre vai me incomodar!
    e sabe, que bom que incomoda!
    Porque enquanto isso acontece eu vou fazendo a minha parte para mudar essa realidade que dói. Pode parecer utópico, mas assim, cada um com um pouquinho, conquisteremos plenitude no que desejamos!

    Você fez muito bem seu post.

    beijos queriida.
    Nívea Flor


  3. Sempre com um tema muito interessante, né Juliana???

    Parabéns!

    E pior do que isso, é que o próprio povo gera mais força para esses eventos serem realizados aqui e, com isso, se esquecem da árdua vida que levam. Lamentável.


  4. Quantas mudanças urngentes precisamos! Adorei o post! São assuntos que precisam mesmo ser realçados, debatidos, combatidos antes que, de tão corriqueiros, se tornem normais, aceitáveis.
    Bjs


  5. Mariana Says:

    Juliana vim conhecer o teu blog, e me identifiquei com muitas "coisas" q encontrei aqui.
    Estou te seguindo.
    boa semana


  6. Fabi Mello Says:

    É sim dona Ju. A missão é impossível, não só pra São Judas Tadeu mas pra todos nós que temos q enfrentar no dia a dia a dureza de ser pobre e brasileiro....Adorei o post...beijos


  7. André Seicho Says:

    As crianças são as q menos merecem sofrer. Somos os errados e quem paga o pato são os inocentes q não tem nada a ver com isso, nem pediram pra nascer.