Insônia


A bendita da insônia sempre vem. Jô Soares, canais trocados, revisados, criticados. Som ligado, internet, livros, emails. Toma um banho, passa o creme no rosto. Lendo revistas velhas, olhando pela janela – e ninguém lá fora. Apaga a luz. Apartamento escuro. Somente as luzes da televisão, lep top, som, celular, abajur, indicam que ali tem alguém acordado. Não consegue dormir. Acende a luz. Folheia os livros, vai à estante de filmes e nenhum te agrada. A insônia vem justamente quando não tem nada legal passando na televisão. Desiste, vai deitar. Pega o edredom e fica no sofá mesmo, se não conseguir dormir já tem o controle perto e liga a televisão. Amanhã é dia. Amanhã é outro dia. E assim a vida segue. Hoje você não dorme, amanhã quem sabe? Calma, vai passar, o sono demora mas sempre vem. Perde-se em alguns pensamentos, se encontra em outros. Desliga tudo. Vai dormir. Liga o som do quarto, música boa sempre relaxa. Vai à cozinha: chá, água, iogurte. Cama, televisão. O mal da insônia é ser solitária, parece que ninguém está acordado, somente você. E essa sensação de vazio nunca é boa. O silêncio perturbador que sempre chega e chega mesmo. Então aumenta a música, faz bastante barulho mesmo. Quem sabe assim o sono não vem? De todas as loucuras que a insônia te traz é a certeza de que em cada noite você se reencontra e se refaz.
2 Responses
  1. Rafaela Says:

    um texto melhor q o outro...bjs


  2. JOANA MARANHÃO Says:

    adorei o texto, fez lembrar de algumas noites de insonias minha..saudade de vc jujuba...