Mulher





No dia internacional da mulher eu sempre fico a pensar: Que tipo de mulher sou eu? Eu sei, para quem me conhece, eu sou osso duro de roer, mulher com todas as letras garrafais: MULHER. Insegura, chorona, dorminhoca, furiosa, explosiva, complicada.

Complicada mesmo, quem não é? Todo mundo é assim. Mas poucos assumem. Eu sou mulher por inteira. Não sou mulher sonsa. Dessas que fingem ser as divas do momento: “Não fico brava, não falo nada, não escuto nada.” Meu Deus, ser sonsa é o perfil desejado de mulher? Acredito que não.  Não pode falar palavrão quando dá uma topada, não pode explodir quando na verdade o que se quer é EXPLODIR.

Vamos começar do começo: Não vou passar horas na academia para ser a “melhor fruta”. Não vou fingir ser o que eu não sou para agradar alguém. Não quero que me tratem feito uma idiota. Não! Não vou fazer tudo o que você pedir. Por mais que me doa, por mais que me isole, como já ouvi por aí: “Não ser uma idiota é de uma solidão desgraçada”. E como é!

Então entenda. Se eu estou chateada eu estou chateada, se eu não quero conversar vai ser assim que vai ser: silêncio. Se eu quero chorar, prepare-se para o dilúvio. Se não tenho nada a dizer: não falo. Se eu estou a fim de "matar alguém": respiro fundo. Mas quando amo: AMO. Não invejo ninguém, não desejo mal a ninguém, e muito menos odeio. Mas por favor, não pise no meu calo. Não faça isso. Transparente do jeito que eu sou, eu vou te mandar para um lugar bem longe. Mesmo que eu queira te resgatar segundos depois. Porque é assim que sempre vai ser, é assim que eu sou. Alguém que precisa explodir de vez em quando.

Reflita: Não seja uma angustiada, uma frustrada, não finja ser uma cega para não enlouquecer. Enlouqueça. Seja humana. Sinta. Pare de sorrir para simplesmente tudo na vida. Sorria, sim. Mas quando estiver a fim de chorar, chore. Admitam que, em certos momentos, nem eu nem você sabemos que missão temos pela frente. Mas que é preciso continuar, é preciso saber viver.

Um feliz dia das mulheres. Da mulher mais insegura, mais mal criada, mais louca. Que escreve para não explodir. E quando explode: cata todos os seus caquinhos por aí... Mas que ama. Ama sempre, eternamente.





O que realmente importa






Eu nunca entendi como as pessoas simplesmente tentam ser o que não são. Sabe aquelas pessoas perfeitas, cabelo arrumadinho, roupas da moda, bom filho, inteligente, educado, gentil? Elas erram, elas apenas não admitem, mas erram. Erram feio, pisam na bola, fingem que não viram e seguem em frente.

Eu paro horas do meu dia a entender gente como a gente, ou gente não como a gente. Eu perco horas do meu tempo a pensar em como a vida poderia ser muito mais simples, se as pessoas saíssem do seu casulo e colocassem a cara pra bater. Qual é problema “mermão”, mostra essa tua cara lavada sem maquiagem ou com barba por fazer. Pára de tentar sempre ser o melhor da festa, a mais gostosa do bairro e se importe com o que realmente é para se importar: ser verdadeiro.

Canso só de pensar no tempo que esse povo gasta para elaborar uma desculpa esfarrapada, a próxima mentira, a próxima vítima, a próxima peça teatral. Vou enganar quem hoje? Sei lá, tem sempre uma idiotinha dando mole por aí. Gente burra é o que não falta. O que não falta também é um bando de filho-da-puta vestido de príncipe ou um monte de pilantra fantasiada de virgem. É carnaval galera, vamos tirar as fantasias pelo menos nesse período? Vocês já se mascaram o ano inteiro... Tirem as máscaras e vão brincar de ser feliz, já que vocês fingem que o são o ano inteiro.

Na quarta feira de cinzas, compre um bom remédio para dor de cabeça, dê “restart” e volte a ser “perfeito”. Volte a ser o único que não liga para o que realmente importa: ser verdadeiro nessa vida. E de máscara em máscara, de fantasia a fantasia, a gente vai vivendo. Terminando ciclos, começando outros. E talvez nunca saibamos quem somos nós. Quem são eles.


Como sobreviver nesse mundo





Para sobreviver nesse mundo você precisa acima de tudo ter. Ter, ter, ter. Você precisa ter dinheiro, um ótimo emprego, ter muitos “amigos”, ter muita importância na sociedade, ter um carro do ano, ter um ótimo apartamento (na zona sul de preferência). É isso mesmo. Precisamos ter: do bom e do melhor – não necessariamente nesta ordem – para mostrarmos ao mundo que não somos fracassados, que somos abençoados, que “Deus ajudou quem cedo madrugou”.

Depois de você “ter” algo, você precisa “ser”. Você precisa ser lindo, maravilhoso, charmoso, bem vestido, hipócrita, ser descolado, ser o melhor, ser competitivo, ser egoísta, ser cara de pau, ser alguém que os outros querem que você seja. Você não pode ser você. Você tem que ser de acordo com as regras pré-escritas antes mesmo da sua chegada ao planeta. Se você – em algum momento insano da sua vida – resolver ser você mesmo. Ferrou. Já era. Esse mundo vai te engolir sem mastigar. Vai ser rápido, rasteiro. Então, sobreviva. Não seja você. 

Depois de você “ter”, “ser”, você precisa “fazer”. Faça qualquer coisa, algo que dê dinheiro para você e para os que te cercam. Não pode ser bondade, caridade, visita em asilo. Nada disso. Você tem que produzir. Fazer ganhar dinheiro. Fazer o mundo girar. Fazer acontecer. Essa é a realidade. Não adianta você fazer alguém parar de chorar. Não adianta você fazer alguém se sentir melhor. Você precisa – de acordo com as regras – fazer dinheiro. Não pode ser “gentinha”, morar no subúrbio, ganhar salário mínimo, nem ser inocente em achar que um dia as pessoas do business world vão te valorizar pelo que realmente você é.

É assim. Texto amargurado, não? Mas é isso. A realidade é essa. Você não pode mais ser a bondade em pessoa. A intelectualidade em pessoa. Não importa quantos livros você já leu, ou o quanto você sabe, um dia você vai entender que a melhor coisa é dar uma de burro. A vida é essa e pronto. Restaurantes caros, salões de beleza caríssimos, SPA, tem que ter mil mulheres, mil homens para estar dentro dos padrões “globais” e reais.  Não precisa ler mil livros, porque o que atrai o sexo oposto é a sua aparência: sarada, bem vestida. Ler pra quê? E sai fora os quilinhos a mais, desista, vá fazer uma dieta porque não rola, tem que ser magra, sarada, gostosa.

Nunca demonstre seus sentimentos. Por mais bonito que seja seu amor, por mais ardente que seja a sua paixão. Não fale nada. NADA. Como já disse Caio Fernando de Abreu "Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink.". Não seja bobo, não seja boazinha. Não seja amoroso, formoso, carinhoso. Seja forte, rebelde, cruel, imponente, poderoso. Tenha o poder em suas mãos. E assim, se algo der errado, coloque a culpa no outro. Aliás, nunca erre. Essa é a regra. Não erre. Seja perfeito, ou pelo menos, finja ser.

Sobreviva. Vá em frente. Aos trancos e barrancos. Tenha. Seja. Faça. E se não conseguir. Ligue o seu computador e chore: por não ser tão hipócrita, tão lindo, tão maravilhoso, tão burro, tão perfeito, tão rico, tão poderoso. Chore por não conseguir ser falso, mentiroso, por ler vários livros, por procurar estudar, trabalhar honestamente, por morar no subúrbio, por comprar roupas na promoção. Chore muito. Escreva um  texto mais ou menos, publique no seu blog. Depois vá dormir, e deite tranqüilo, por não fazer parte dessa grande sujeira que o mundo se tornou.

Menos




Eu queria muito ser um pouco menos dramática, chorona, insegura, louca, teimosa. Queria muito ser menos. Diminuir, abstrair, absorver, controlar. Não consigo, eu sou muito mais. Demais, mais, mais, mais... Eu tento abraçar o mundo, ao mesmo tempo, a toda hora, passando da conta. Quando me percebo estou lá: com a pontinha do pé, na beira do abismo, pronta pra ser engolida pela crua e real realidade.

A minha realidade é que eu sou exageradamente passional. Quando quero, eu quero muito. Quando eu choro, eu choro muito. Quando me decepciono, eu me decepciono muito. Meu Deus queria um pouquinho, só um pouquinho ser menos, para deixar de dar minhas lágrimas de bandeja por aí. Chega dessa dor no estômago, desse soco imaginário bem lá na boca do estômago. Me deixa ser menos, porque eu não consigo mais ver minhas vontades, meus sonhos irreais, ultrapassarem os meus limites e me levarem junto, para depois me jogarem lá de cima, sem dó nem piedade.

Preso na vida de quem?






Acabei de tirar minhas fotos pessoais do blog. Acabei de vê-las por aí pela net como se fossem figurinhas fáceis de achar. Disponíveis para qualquer um pegar e fazer delas o que quiser. E não vejo somente as fotos por aí, vejo frases minhas, trechos dos meus textos sem ao menos citarem a fonte. Sim, tudo bem, talvez não seja a próxima a entrar para a Academia Brasileira de Letras, mas todas as coisas que escrevo por aqui são minhas, exclusivamente minha e das pessoas que se propõem a ler, a comentar, a reler e copiar, que seja, desde que citem a fonte.

Sabe, eu fico pensando que o pior de ser fake pela net, é ser fake na vida. Esse é o pior. Ser fake – ou falso, que seja – é o fim do poço para aquele que não está contente com a sua vida e vai viver a vida dos outros ou uma vida imaginária. Ninguém é perfeito,  nós todos temos defeitos, somos feios, bonitos, ricos, pobres, burros, inteligentes, gordos, sarados, os mais mais do top 10 e por aí vai. E cabe a nós, mudar. Mudar para pior, melhor, muito melhor, que seja, mas cabe mudar.

A palavra mudança dói, amedronta, dá frio na espinha – dá frio em mim também – mas não há outra chance de buscar a felicidade do que mudar o que te incomoda. É difícil – eu sei o quanto é -, mas o primeiro passo é ficar na frente do espelho e se olhar, não superficialmente, mas para dentro da alma, olhar nos olhos e ver, realmente, o que te incomoda, o que te causa aquela ruga, aquela lágrima, aquela dor no estômago, aquela abstinência de coisa boa toda vez que você vai dormir e não consegue. Esse é o primeiro passo, o mais difícil.

Não adianta fugir, por mais que você continue com essa vidinha de fantasia, vai sempre chegar uma hora que a ficha vai cair – geralmente a gente cai antes das fichas, sabia? – e aí você vai fazer o que? Vai procurar outra vida para copiar? Outra vida para cuidar? Outra vida para fazer intriga? Outra vida para invejar? Já repararam quanto trabalho isso dá?

Quando é que você vai se enxergar – de verdade – e perceber que a sua vida é bem melhor de cuidar do que a dos outros?

Boa sorte, após o primeiro passo, o caminho é sem volta – e acredito que para melhor.

Ano novo; Vida nova!




Somos recarregáveis, temos prazo de doze meses. Após esse período, trocamos as pilhas - e novinhos em folha- estamos prontos para outras batalhas, outras alegrias, outras decepções, outras e outras!

Vamos passar a limpo, vamos reviver, perdoar, voltar atrás,  amar, acreditar, desacreditar, ter fé, fazer amigos, cultivar as velhas amizades, olhar nos olhos, olhar em volta, olhar para nós mesmos. Vamos nos sentir humanos – muitos já se esqueceram de como é – vamos gritar de alegria a cada vitória, vamos chorar a cada derrota, vamos ouvir, vamos falar, vamos nos informar, estudar, pensar coisas boas, dizer coisas boas, escrever, vamos viver a “vida nova”.

Porém, não esqueçamos nunca, de “recarregar” após os doze meses. É importantíssimo esse “joga fora”. Jogue tudo que te faça mal. Que te machuque. Não tenha medo. Faça a diferença na sua vida, peça ajuda para fazer desse novo ano e dessa “nova vida” algo que poderá se recordar como um doce sonho.

Que um dia, possamos olhar para trás e jamais nos arrependermos do que não fizemos!

Grande beijo. Muita luz e paz para todos nós! Amém!

Acordar



Uma das coisas que muito me incomoda nessa vida é a ignorância. Ser ignorante é ignorar. Ignorar tudo que está em sua volta. Desconhecer. Não querer saber.

A ignorância é muito lembrada quando queremos chamar alguém de grosseiro, mal educado. Sempre soltamos aquela bela frase: “seu ignorante”.

De alguns dias pra cá tenho sentido muita preguiça de pessoas preguiçosas. Pessoas que vivem no mundo da imaginação: “Imaginando como será minha vida quando eu resolver levantar e for à luta”.

Quem escreve aqui não é a dona da verdade, nem tão pouco alguém que já conseguiu tudo na vida. Não consegui. Tenho tentado até hoje. Fui por caminhos incorretos, pelos mais fáceis talvez, evitei os tortos, difíceis e talvez se fosse por esses estaria bem melhor hoje.

Mas... Estou aqui. Tentando. Ainda. Sem pestanejar. Andando de sol a sol. De choro a choro. De insegurança a insegurança. De medo a medo. De pressão a pressão. Entre casa, família e filha pequena – que cobra toda a atenção que você deve dar.

Mas e você?. Que coloca a culpa no governo. Na chuva. Na violência. Na falta de oportunidades.

O que você tem feito além de reclamar?

Desculpe-me a franqueza: Ninguém vai te dar o que você quer. Ninguém vai à luta por você. Basta um erro para estragar tudo. E basta não errar nunca para estragar também. É uma via de mão dupla. Entre erros e acertos. Entre idas e vindas.

Saia do seu casulo. Já saí do meu.

Boa sorte!